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| Foto: Divulgação |
Uma queda de braço tem sido travada entre Jotabê Medeiros,
autor da biografia "Apenas um Rapaz Latino-Americano", e Ângela
Belchior, irmã do cantor e compositor Belchior - morto em abril deste ano.
"[O livro] é ofensivo à nossa honra e principalmente à honra de Belchior,
que não está mais presente fisicamente na Terra", disse Ângela à Folha de
S. Paulo. Ela, que pretende lançar um livro biográfico contendo sua própria
versão da história do músico em 2018, quando ele faria 72 anos, conta com o
apoio do advogado Estêvão Zizzi para tentar tirar a biografia não autorizada de
circulação. "Estamos pegando depoimentos porque a gente não quer uma
biografia mentirosa para as gerações vindouras", revelou.
Ainda segundo a Folha, dentre os pontos contestados por
Ângela no livro de Medeiros, está uma parte em que ele relata um conflito com
um professor da Faculdade de Medicina de Porangabuçu, em Fortaleza, que teria
chamado Belchior de aluno “medíocre”. Mas para Ângela, o conteúdo "mais
ofensivo entre todas as questões ofensivas" é quando o autor nega que sua
mãe tenha integrado um coral de igreja. "Tudo cascata. Mãe que cantava em
coral de igreja? Essa era uma história típica da mitologia dos artistas negros
evangélicos norte-americanos, mas que não batia com a rotina eclesiástica das
igrejas do Nordeste brasileiro", diz trecho da biografia não oficial, ao
abordar os mitos que segundo o autor rodeiam a imagem do ídolo. Jotabê
Medeiros, no entanto, afirma que a visão de Ângela revela apenas versões
discordantes de fontes ou até falhas de interpretação. "Não estou dizendo
que a mãe dele não cantava na igreja, estou dizendo que a tradição da Igreja
Católica brasileira é diferente da igreja evangélica, que tem uma tradição mais
apurada nesse sentido, o que fundamenta a tradição de cantores de blues
americanos", disse o biógrafo, revelando que para escrever sobre o
incidente com o professor, ouviu relatos de dois colegas de faculdade de
Belchior. "Eu não disse o nome do decano porque sabia exatamente que ele
poderia negar", argumentou.
Apesar dos esforços de Medeiros, Ângela diz, entretanto, que
a família está lendo o livro “com muito carinho” e enviando os erros para o
advogado. "Nosso objetivo é tirar o livro de circulação, estamos tomando
as providências", afirmou a irmã do músico. Já para o biógrafo, o ato é
autoritarismo: "Eles têm dito que só eles podem contar a história de
Belchior; eles podem, eu só não acho que preciso bater o que eu apurei com o
que eles apuraram", pontuou.

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