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| Foto: Marcelo Sant'Anna / Imprensa MG |
Alvo de críticas pelo movimento Escola Sem Partido, a
exigência de respeitar os direitos humanos na redação do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem) resultou na anulação de 4.798 provas na edição de 2016, de acordo
com balanço divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) em janeiro. O número
representa 5,69% das provas anuladas pelos corretores (84.236) e 0,08% do total
das redações (5.881.213). No início da tarde deste sábado, 4, o Supremo
Tribunal Federal (STF) negou uma liminar da União e acatou o pedido para o
critério não seja utilizado para anular a prova. Neste ano, o Enem será
aplicado nos dias 5 e 12 de novembro. De acordo com a Cartilha do
Participante, o desrespeito aos direitos humanos é um dos dez motivos que podem
causar a anulação da redação. Os demais são: fuga total ao tema; não obediência
à estrutura dissertativo-argumentativa; extensão de menos de oito linhas; cópia
integral do texto da proposta da redação ou de textos apresentados no caderno
de questões; impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação;
parte deliberadamente desconectada do tema proposto; assinatura, nome, apelido
ou rubrica fora do local devidamente designado para a assinatura do
participante; texto integralmente em língua estrangeira; e folha de redação em
branco. A cartilha ainda apresenta exemplos de ações e ideias que violam
os direitos humanos, tais como defesa da tortura, da mutilação ou de
"qualquer forma de 'justiça com as próprias mãos'", além de incitação
as violências motivadas por "questões de raça, etnia, gênero, credo,
condição física, origem geográfica ou socioeconômica" e explicitação de
qualquer tipo de discurso de ódio. Em 2016 e 2015, os temas da redação
foram "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil" e
"A persistência da violência contra a mulher na sociedade
brasileira", respectivamente. Confira trechos de provas anuladas por desrespeitarem
os direitos humanas: "para combater a intolerância religiosa, deveria
acabar com a liberdade de expressão"; "podemos combater a
intolerância religiosa acabando com as religiões e implantando uma doutrina
única"; "o Estado deve paralisar as superexposições de crenças e
proibir as manifestações religiosas ao público"; "o governo
deveria punir e banir essas outras 'crenças', que não sejam referentes a
Bíblia"; "fazer sofrer da mesma forma a pessoa que comete esse
crime"; "deve sofrer os mesmos danos causados à vítima, não em
todas as situações, mas em algumas ou até mesmo a pena de morte".

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